Comparativo · Vacuoterapia
Vacuoterapia ou endermologia: o que muda entre ventosa e roletes
As duas técnicas usam pressão negativa, e boa parte da literatura trata os nomes como sinônimos. Na clínica, o que as separa é o cabeçote: ventosa ou roletes.
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- Equipe Bioset
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Pontos-chave
- Por que a literatura junta os dois nomes e onde a prática os separa
- O que a pressão negativa e os roletes fazem no tecido
- Indicações, parâmetros de partida e limites de pressão
- Contraindicações e o que a evidência permite dizer ao cliente
Vacuoterapia e endermologia são a mesma coisa?
Quase. Vacuoterapia e endermologia usam pressão negativa para aspirar e mobilizar a pele, e boa parte da literatura científica trata os nomes como sinônimos. A diferença prática está no cabeçote: na vacuoterapia, uma ventosa aspira o tecido e fica parada ou desliza; na endermologia, a sucção trabalha junto com roletes que formam e rolam a prega de pele.
A massagem a vácuo descende da ventosaterapia. A versão mecânica surgiu no fim dos anos 1970, criada por um paciente em recuperação de queimaduras graves, e deu origem ao nome "endermologia" (do francês, "através da derme"), hoje usado para a técnica em geral.
Na clínica, vale separar pelo cabeçote. A página de aparelhos de vacuoterapia trata da pressão negativa com ventosas, voltada à circulação e à drenagem; a de aparelhos de endermologia, do vácuo com roletes, voltado à mobilização mecânica do tecido. A endermologia é, portanto, a vacuoterapia feita com roletes.

Tabela 1 Vacuoterapia e endermologia: o que muda na prática
| Aspecto | Vacuoterapia | Endermologia |
|---|---|---|
| Cabeçote | Ventosas de tamanhos variados | Câmara de sucção com roletes |
| Como age | Aspira e traciona o tecido, parada ou em deslizamento | Aspira, forma a prega e a rola de forma contínua |
| Ênfase clínica | Circulação, drenagem, áreas sensíveis e face | Tecido endurecido, aderências e fibroses |
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Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
O que a pressão negativa faz no tecido?
A sucção eleva epiderme, derme e parte da hipoderme para dentro do cabeçote e estira o tecido conjuntivo. O mecanismo proposto é a mecanotransdução: as células convertem essa carga mecânica repetida em sinais bioquímicos, que alteram a atividade dos fibroblastos e a organização do colágeno.
A revisão de Moortgat e colaboradores reuniu 19 estudos sobre massagem a vácuo. Os achados mais frequentes foram menor rigidez e maior elasticidade do tecido, além de aumento de fibroblastos e de fibras colágenas, mas a qualidade geral dos estudos foi classificada como baixa. Na atualização do mesmo grupo, quatro estudos registraram melhora da perfusão sanguínea e dois, do fluxo venoso e linfático.
Em modelo animal, a força sobre o tecido dependeu mais do tipo de manobra do que da sucção ou da tensão dos roletes: a técnica pesa mais do que o número no painel. O efeito cresce com o número de sessões e, em quatro estudos, regrediu depois de um período sem tratamento.
Mais vácuo significa mais resultado?
Não. Pressão alta aumenta o risco de lesão sem ganho de circulação. Em 36 pessoas com cicatrizes, 10 minutos a -105 mmHg deixaram o fluxo sanguíneo da pele mais alto depois da aplicação do que -125 ou -145 mmHg. Em modelo animal, -20 kPa melhoraram a circulação local, enquanto -30 kPa romperam capilares e causaram sangramento e edema.
Esses valores equivalem a cerca de 150 e 225 mmHg. O Dermovac Lite chega a 550 mmHg e o Dermovac LedShape 2.1, a 600 mmHg. Esse limite dá margem de ajuste entre áreas e aplicadores; os estudos citados aqui trabalharam muito abaixo dele. Em cicatrizes, o cuidado é maior: num estudo, 8 de 13 áreas de cicatriz de queimadura mostraram ruptura da epiderme depois de uma única sessão.
Para que servem vacuoterapia e endermologia na clínica?
Para mobilizar pele e subcutâneo, apoiar a drenagem de edema e trabalhar a textura e a flexibilidade do tecido. As indicações mais citadas são o aspecto da celulite (fibroedema geloide), o edema, as aderências e fibroses e o pós-operatório liberado pelo cirurgião, quase sempre como etapa de um protocolo combinado.
- Fibroedema geloide: ventosa ou roletes para mobilizar o tecido, com efeito temporário que pede manutenção
- Edema: vácuo baixo e manobras lentas no sentido dos linfonodos
- Aderências e fibroses: roletes, com manobras de pinçar e rolar sobre o tecido aderido
- Pós-operatório: só com liberação do cirurgião, que define início, pressão e frequência
- Contorno corporal: drenagem em protocolos com radiofrequência, ultracavitação ou ondas de choque (leia sobre HIFU e cavitação no ultrassom estético)
O que a evidência mostra na celulite?
Mostra efeito modesto e passageiro. A celulite atinge de 80 a 90% das mulheres depois da puberdade, e uma revisão sistemática de 67 estudos não encontrou evidência clara de boa eficácia em nenhum dos tratamentos avaliados. Para a massagem a vácuo, os ensaios são pequenos e os resultados regridem quando as sessões param.
No ensaio randomizado de Collis e colaboradores8, 52 mulheres concluíram as 12 semanas de estudo, que comparou vácuo com roletes duas vezes por semana e um creme de aminofilina. Não houve diferença estatística nas medidas entre as pernas, e só 10 de 35 coxas tratadas com vácuo melhoraram na avaliação da paciente.
8Collis N et al., 1999.Cellulite treatment: a myth or reality: a prospective randomized, controlled trial of two therapies, endermologie and aminophylline cream.
Numa revisão de 2025 com 24 ensaios randomizados e 2.084 pacientes, os resultados mais promissores ficaram com ondas de choque, radiofrequência e injetáveis. Faz mais sentido, portanto, usar o vácuo como etapa de um protocolo com tecnologias de mais evidência, como a radiofrequência, cujo mecanismo está no artigo sobre radiofrequência e colágeno.
Quais parâmetros usar na vacuoterapia e na endermologia?
Não existe faixa de pressão validada por consenso. Na revisão de 19 estudos, só 6 informaram a intensidade usada, e apenas um em unidade universal. A regra prática é começar com vácuo baixo, subir conforme a tolerância, manter o cabeçote em movimento e escolher o modo e o aplicador pela indicação.

Tabela 2 Parâmetros descritos em estudos e fichas técnicas
| Fonte | Aplicação | Pressão | Tempo e frequência |
|---|---|---|---|
| Gonçalves et al., 2022 | Ventosa de vidro de 1,8 cm, deslizando sobre pele enxertada | 250 mmHg, contínua | 4 minutos |
| Lucassen et al., 1997 (em Moortgat et al., 2016) | Pinçar e rolar em modo pulsado | 200 mbar (cerca de 150 mmHg) | 15 minutos, 3 vezes por semana, 40 sessões |
| Collis et al., 1999 | Vácuo com roletes em coxa e glúteo | Não informada | 2 vezes por semana, por 12 semanas |
| Ficha técnica do Dermovac Lite | Vácuo contínuo ou pulsado de 1 a 5 Hz | 0 a −550 mmHg | Definido pelo profissional |
| Ficha técnica do Dermovac LedShape 2.1 | Roletes e soft, contínuo ou pulsado de 5 a 360 pulsos por minuto | 50 a 600 mmHg (6 a 80 kPa) | Temporizador de 1 a 60 minutos |
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Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
Quem não deve receber vacuoterapia ou endermologia?
Quem tem trombose venosa, flebite ou varizes importantes na área, distúrbio de coagulação ou fragilidade capilar, e quem usa anticoagulante. Também ficam de fora áreas com ferida, infecção ou dermatite ativa, gestantes, pacientes com câncer em tratamento e quem está no pós-operatório sem liberação do cirurgião. Com radiofrequência associada, a lista cresce.
Completam a lista da anamnese:
- Febre ou doença infecciosa aguda
- Hérnia na região tratada
- Drenos, seromas ou hematomas em evolução
- Alteração de sensibilidade que impeça o paciente de relatar dor
- Nos Dermovac LedShape, que associam radiofrequência: marca-passo, implantes eletrônicos e metal no trajeto da corrente
Trombose, pele lesionada ou infectada e gestação constam da revisão de Mehta e Dhapte6; os demais itens vêm da prática clínica e dos manuais.
6Mehta P, Dhapte V, 2015.Cupping therapy: a prudent remedy for a plethora of medical ailments.
Qual Dermovac escolher: portátil ou plataforma?
Depende do serviço. Para drenagem, celulite e atendimento em salas pequenas ou em domicílio, um aparelho portátil de vacuoterapia atende bem. Para protocolos que associam vácuo com roletes, radiofrequência e LED na mesma sessão, a escolha é uma plataforma. A linha Dermovac, fabricada pela Bioset em Rio Claro (SP), cobre os dois cenários.
O Dermovac Lite é o portátil, com 1,2 kg e alimentação bivolt automática. O Dermovac LedShape 2.0 reúne vacuoterapia, radiofrequência e LED, com aplicadores de roletes e soft, e o Dermovac LedShape 2.1 acrescenta ultracavitação e ondas de choque piezoelétricas.

O que a evidência sustenta
Leitura da equipe Bioset sobre as 12 referências deste artigo
Consenso
- Os efeitos mais relatados são menor rigidez e maior elasticidade do tecido
- O resultado depende da manobra e do número de sessões, e regride sem manutenção
- Vácuo excessivo pode romper capilares e causar equimose
Promissor, mas incerto
- Faixa ideal de pressão e de modo (contínuo ou pulsado) por indicação
- Papel no linfedema e no pós-operatório, com estudos ainda pequenos
- Ganho real de associar vácuo a radiofrequência, LED ou ondas de choque
O que não afirmar ao paciente
- Que elimina celulite ou gordura localizada, ou que emagrece
- Que "desintoxica" ou elimina toxinas
- Que substitui drenagem prescrita, tratamento de linfedema ou cirurgia
Perguntas frequentes
- Vacuoterapia deixa marca roxa?
- Não deveria. Equimose indica pressão alta demais, cabeçote parado ou fragilidade capilar. Reduza o vácuo, mantenha o movimento e reavalie a indicação se a marca se repetir.
- Quantas sessões fazer e com que frequência?
- Nos estudos citados, as séries variaram de 12 semanas com duas sessões semanais a 40 sessões, três por semana. Como o efeito regride sem tratamento, planeje a série com fotografia padronizada e sessões de manutenção.

Aparelho citado neste artigo
Dermovac LedShape 2.1
Plataforma citada neste artigo que une vacuoterapia com roletes e soft, radiofrequência, ultracavitação, ondas de choque piezoelétricas e LED.
- Tecnologia
- Vacuoterapia
- Registro ANVISA
- 10410309012
- Fabricação
- Bioset, Rio Claro (SP)
Referências 12 fontes, de 1999 a 2026
- 1
Moortgat P, Anthonissen M, Meirte J, Van Daele U, Maertens K (2016). The physical and physiological effects of vacuum massage on the different skin layers: a current status of the literature. Burns & Trauma, 4:34.
PubMed Central (abre em nova aba) - 2
Moortgat P, Meirte J, Van Daele U, Anthonissen M, Vanhullebusch T, Maertens K (2020). Vacuum massage in the treatment of scars. Em: Téot L et al. (org.), Textbook on Scar Management, cap. 54. Springer.
DOI (abre em nova aba) - 3
Meirte J, Moortgat P, Anthonissen M et al. (2016). Short-term effects of vacuum massage on epidermal and dermal thickness and density in burn scars: an experimental study. Burns & Trauma, 4:27.
PubMed Central (abre em nova aba) - 4
Shen WC, Cheng HT, Jan YK et al. (2025). Effect of negative pressure therapy on skin blood flow responses in scar tissue. Cureus, 17(8):e90436.
PubMed Central (abre em nova aba) - 5
Zhang P, Lv J, Ge C et al. (2024). Quantitative evaluation of microenvironmental changes and efficacy of cupping therapy under different pressures based on photoacoustic imaging. Photoacoustics, 40:100661.
PubMed Central (abre em nova aba) - 6
Mehta P, Dhapte V (2015). Cupping therapy: a prudent remedy for a plethora of medical ailments. Journal of Traditional and Complementary Medicine, 5(3):127-134.
PubMed Central (abre em nova aba) - 7
Luebberding S, Krueger N, Sadick NS (2015). Cellulite: an evidence-based review. American Journal of Clinical Dermatology, 16(4):243-256.
PubMed (abre em nova aba) - 8
Collis N, Elliot LA, Sharpe C, Sharpe DT (1999). Cellulite treatment: a myth or reality: a prospective randomized, controlled trial of two therapies, endermologie and aminophylline cream. Plastic and Reconstructive Surgery, 104(4):1110-1114.
PubMed (abre em nova aba) - 9
Lim SK, Gultekin G, Suresan S et al. (2025). Comparative analysis of cellulite treatment modalities: a systematic review. Aesthetic Plastic Surgery, 49(7):2051-2075.
PubMed (abre em nova aba) - 10
Gonçalves ADC, Guirro RRJ, Rossi LA et al. (2022). Effects of therapeutic ultrasound and paraffin with or without vacuum massage on biomechanical properties of grafted skin after burn: a randomized controlled trial. Revista da Associação Médica Brasileira, 68(12):1759-1764.
PubMed Central (abre em nova aba) - 11
Bioset (2026). Dermovac Lite: ficha técnica. bioset.com.br.
bioset.com.br (abre em nova aba) - 12
Bioset (2026). Dermovac LedShape 2.1: ficha técnica. bioset.com.br.
bioset.com.br (abre em nova aba)
Sobre este artigo
- Publicado
- Texto
- Equipe Bioset
- Editoria e formato
- Tratamentos e Protocolos · Comparativo
- Como citar
- Equipe Bioset. Vacuoterapia ou endermologia: o que muda entre ventosa e roletes. Caderno Técnico Bioset, 30 out. 2026. Disponível em: https://www.bioset.com.br/blog/vacuoterapia-e-endermologia-diferencas. Acesso em: 31 out. 2026.
Conteúdo técnico para profissionais habilitados. Não substitui a avaliação individual de cada paciente, e a conduta é do profissional. Resultados variam conforme paciente e protocolo.




