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Comparativo · Vacuoterapia

Vacuoterapia ou endermologia: o que muda entre ventosa e roletes

As duas técnicas usam pressão negativa, e boa parte da literatura trata os nomes como sinônimos. Na clínica, o que as separa é o cabeçote: ventosa ou roletes.

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9 min · 12 referências
Profissional de jaleco aplica a ventosa do Dermovac Lite na lateral do glúteo de paciente deitada de bruços, com o aparelho ao fundo

Pontos-chave

  1. Por que a literatura junta os dois nomes e onde a prática os separa
  2. O que a pressão negativa e os roletes fazem no tecido
  3. Indicações, parâmetros de partida e limites de pressão
  4. Contraindicações e o que a evidência permite dizer ao cliente

Vacuoterapia e endermologia são a mesma coisa?

Quase. Vacuoterapia e endermologia usam pressão negativa para aspirar e mobilizar a pele, e boa parte da literatura científica trata os nomes como sinônimos. A diferença prática está no cabeçote: na vacuoterapia, uma ventosa aspira o tecido e fica parada ou desliza; na endermologia, a sucção trabalha junto com roletes que formam e rolam a prega de pele.

A massagem a vácuo descende da ventosaterapia. A versão mecânica surgiu no fim dos anos 1970, criada por um paciente em recuperação de queimaduras graves, e deu origem ao nome "endermologia" (do francês, "através da derme"), hoje usado para a técnica em geral.

Na clínica, vale separar pelo cabeçote. A página de aparelhos de vacuoterapia trata da pressão negativa com ventosas, voltada à circulação e à drenagem; a de aparelhos de endermologia, do vácuo com roletes, voltado à mobilização mecânica do tecido. A endermologia é, portanto, a vacuoterapia feita com roletes.

Quatro ventosas de silicone translúcido de tamanhos diferentes ao lado de um cabeçote preto com dois roletes metálicos
Figura 1 Ventosas de silicone do Dermovac Lite e cabeçote de roletes do Dermovac LedShape. Foto: Bioset

Tabela 1 Vacuoterapia e endermologia: o que muda na prática

AspectoVacuoterapiaEndermologia
CabeçoteVentosas de tamanhos variadosCâmara de sucção com roletes
Como ageAspira e traciona o tecido, parada ou em deslizamentoAspira, forma a prega e a rola de forma contínua
Ênfase clínicaCirculação, drenagem, áreas sensíveis e faceTecido endurecido, aderências e fibroses

Deslize a tabela para ver as 3 colunas.

Fontes: ver as referências ao fim do artigo.

O que a pressão negativa faz no tecido?

A sucção eleva epiderme, derme e parte da hipoderme para dentro do cabeçote e estira o tecido conjuntivo. O mecanismo proposto é a mecanotransdução: as células convertem essa carga mecânica repetida em sinais bioquímicos, que alteram a atividade dos fibroblastos e a organização do colágeno.

A revisão de Moortgat e colaboradores reuniu 19 estudos sobre massagem a vácuo. Os achados mais frequentes foram menor rigidez e maior elasticidade do tecido, além de aumento de fibroblastos e de fibras colágenas, mas a qualidade geral dos estudos foi classificada como baixa. Na atualização do mesmo grupo, quatro estudos registraram melhora da perfusão sanguínea e dois, do fluxo venoso e linfático.

Em modelo animal, a força sobre o tecido dependeu mais do tipo de manobra do que da sucção ou da tensão dos roletes: a técnica pesa mais do que o número no painel. O efeito cresce com o número de sessões e, em quatro estudos, regrediu depois de um período sem tratamento.

Mais vácuo significa mais resultado?

Não. Pressão alta aumenta o risco de lesão sem ganho de circulação. Em 36 pessoas com cicatrizes, 10 minutos a -105 mmHg deixaram o fluxo sanguíneo da pele mais alto depois da aplicação do que -125 ou -145 mmHg. Em modelo animal, -20 kPa melhoraram a circulação local, enquanto -30 kPa romperam capilares e causaram sangramento e edema.

Esses valores equivalem a cerca de 150 e 225 mmHg. O Dermovac Lite chega a 550 mmHg e o Dermovac LedShape 2.1, a 600 mmHg. Esse limite dá margem de ajuste entre áreas e aplicadores; os estudos citados aqui trabalharam muito abaixo dele. Em cicatrizes, o cuidado é maior: num estudo, 8 de 13 áreas de cicatriz de queimadura mostraram ruptura da epiderme depois de uma única sessão.

Para que servem vacuoterapia e endermologia na clínica?

Para mobilizar pele e subcutâneo, apoiar a drenagem de edema e trabalhar a textura e a flexibilidade do tecido. As indicações mais citadas são o aspecto da celulite (fibroedema geloide), o edema, as aderências e fibroses e o pós-operatório liberado pelo cirurgião, quase sempre como etapa de um protocolo combinado.

  • Fibroedema geloide: ventosa ou roletes para mobilizar o tecido, com efeito temporário que pede manutenção
  • Edema: vácuo baixo e manobras lentas no sentido dos linfonodos
  • Aderências e fibroses: roletes, com manobras de pinçar e rolar sobre o tecido aderido
  • Pós-operatório: só com liberação do cirurgião, que define início, pressão e frequência
  • Contorno corporal: drenagem em protocolos com radiofrequência, ultracavitação ou ondas de choque (leia sobre HIFU e cavitação no ultrassom estético)

O que a evidência mostra na celulite?

Mostra efeito modesto e passageiro. A celulite atinge de 80 a 90% das mulheres depois da puberdade, e uma revisão sistemática de 67 estudos não encontrou evidência clara de boa eficácia em nenhum dos tratamentos avaliados. Para a massagem a vácuo, os ensaios são pequenos e os resultados regridem quando as sessões param.

No ensaio randomizado de Collis e colaboradores8, 52 mulheres concluíram as 12 semanas de estudo, que comparou vácuo com roletes duas vezes por semana e um creme de aminofilina. Não houve diferença estatística nas medidas entre as pernas, e só 10 de 35 coxas tratadas com vácuo melhoraram na avaliação da paciente.

8Collis N et al., 1999.Cellulite treatment: a myth or reality: a prospective randomized, controlled trial of two therapies, endermologie and aminophylline cream.

Numa revisão de 2025 com 24 ensaios randomizados e 2.084 pacientes, os resultados mais promissores ficaram com ondas de choque, radiofrequência e injetáveis. Faz mais sentido, portanto, usar o vácuo como etapa de um protocolo com tecnologias de mais evidência, como a radiofrequência, cujo mecanismo está no artigo sobre radiofrequência e colágeno.

Quais parâmetros usar na vacuoterapia e na endermologia?

Não existe faixa de pressão validada por consenso. Na revisão de 19 estudos, só 6 informaram a intensidade usada, e apenas um em unidade universal. A regra prática é começar com vácuo baixo, subir conforme a tolerância, manter o cabeçote em movimento e escolher o modo e o aplicador pela indicação.

Vista de cima da mão da profissional apoiando a ventosa de silicone na parte de trás da coxa, logo acima do joelho
Figura 2 Vacuoterapia com o Dermovac Lite na parte de trás da coxa. Foto: Bioset

Tabela 2 Parâmetros descritos em estudos e fichas técnicas

FonteAplicaçãoPressãoTempo e frequência
Gonçalves et al., 2022Ventosa de vidro de 1,8 cm, deslizando sobre pele enxertada250 mmHg, contínua4 minutos
Lucassen et al., 1997 (em Moortgat et al., 2016)Pinçar e rolar em modo pulsado200 mbar (cerca de 150 mmHg)15 minutos, 3 vezes por semana, 40 sessões
Collis et al., 1999Vácuo com roletes em coxa e glúteoNão informada2 vezes por semana, por 12 semanas
Ficha técnica do Dermovac LiteVácuo contínuo ou pulsado de 1 a 5 Hz0 a −550 mmHgDefinido pelo profissional
Ficha técnica do Dermovac LedShape 2.1Roletes e soft, contínuo ou pulsado de 5 a 360 pulsos por minuto50 a 600 mmHg (6 a 80 kPa)Temporizador de 1 a 60 minutos

Deslize a tabela para ver as 4 colunas.

Fontes: ver as referências ao fim do artigo.

Quem não deve receber vacuoterapia ou endermologia?

Quem tem trombose venosa, flebite ou varizes importantes na área, distúrbio de coagulação ou fragilidade capilar, e quem usa anticoagulante. Também ficam de fora áreas com ferida, infecção ou dermatite ativa, gestantes, pacientes com câncer em tratamento e quem está no pós-operatório sem liberação do cirurgião. Com radiofrequência associada, a lista cresce.

Completam a lista da anamnese:

  • Febre ou doença infecciosa aguda
  • Hérnia na região tratada
  • Drenos, seromas ou hematomas em evolução
  • Alteração de sensibilidade que impeça o paciente de relatar dor
  • Nos Dermovac LedShape, que associam radiofrequência: marca-passo, implantes eletrônicos e metal no trajeto da corrente

Trombose, pele lesionada ou infectada e gestação constam da revisão de Mehta e Dhapte6; os demais itens vêm da prática clínica e dos manuais.

6Mehta P, Dhapte V, 2015.Cupping therapy: a prudent remedy for a plethora of medical ailments.

Qual Dermovac escolher: portátil ou plataforma?

Depende do serviço. Para drenagem, celulite e atendimento em salas pequenas ou em domicílio, um aparelho portátil de vacuoterapia atende bem. Para protocolos que associam vácuo com roletes, radiofrequência e LED na mesma sessão, a escolha é uma plataforma. A linha Dermovac, fabricada pela Bioset em Rio Claro (SP), cobre os dois cenários.

O Dermovac Lite é o portátil, com 1,2 kg e alimentação bivolt automática. O Dermovac LedShape 2.0 reúne vacuoterapia, radiofrequência e LED, com aplicadores de roletes e soft, e o Dermovac LedShape 2.1 acrescenta ultracavitação e ondas de choque piezoelétricas.

Dermovac Lite, aparelho portátil de mesa com ventosas nas laterais, ao lado do Dermovac LedShape, plataforma sobre rodízios
Figura 3 Dermovac Lite, portátil, ao lado do Dermovac LedShape, plataforma sobre rodízios. Foto: Bioset

O que a evidência sustenta

Leitura da equipe Bioset sobre as 12 referências deste artigo

Consenso

  • Os efeitos mais relatados são menor rigidez e maior elasticidade do tecido
  • O resultado depende da manobra e do número de sessões, e regride sem manutenção
  • Vácuo excessivo pode romper capilares e causar equimose

Promissor, mas incerto

  • Faixa ideal de pressão e de modo (contínuo ou pulsado) por indicação
  • Papel no linfedema e no pós-operatório, com estudos ainda pequenos
  • Ganho real de associar vácuo a radiofrequência, LED ou ondas de choque

O que não afirmar ao paciente

  • Que elimina celulite ou gordura localizada, ou que emagrece
  • Que "desintoxica" ou elimina toxinas
  • Que substitui drenagem prescrita, tratamento de linfedema ou cirurgia

Perguntas frequentes

Vacuoterapia deixa marca roxa?
Não deveria. Equimose indica pressão alta demais, cabeçote parado ou fragilidade capilar. Reduza o vácuo, mantenha o movimento e reavalie a indicação se a marca se repetir.
Quantas sessões fazer e com que frequência?
Nos estudos citados, as séries variaram de 12 semanas com duas sessões semanais a 40 sessões, três por semana. Como o efeito regride sem tratamento, planeje a série com fotografia padronizada e sessões de manutenção.
Dermovac LedShape 2.1, Plataforma multiterapia com 5 tecnologias

Aparelho citado neste artigo

Dermovac LedShape 2.1

Plataforma citada neste artigo que une vacuoterapia com roletes e soft, radiofrequência, ultracavitação, ondas de choque piezoelétricas e LED.

Tecnologia
Vacuoterapia
Registro ANVISA
10410309012
Fabricação
Bioset, Rio Claro (SP)

Onde comprar

Também citados no textoDermovac LiteDermovac LedShape 2.0

Referências 12 fontes, de 1999 a 2026

  1. 1

    Moortgat P, Anthonissen M, Meirte J, Van Daele U, Maertens K (2016). The physical and physiological effects of vacuum massage on the different skin layers: a current status of the literature. Burns & Trauma, 4:34.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  2. 2

    Moortgat P, Meirte J, Van Daele U, Anthonissen M, Vanhullebusch T, Maertens K (2020). Vacuum massage in the treatment of scars. Em: Téot L et al. (org.), Textbook on Scar Management, cap. 54. Springer.

    DOI (abre em nova aba)
  3. 3

    Meirte J, Moortgat P, Anthonissen M et al. (2016). Short-term effects of vacuum massage on epidermal and dermal thickness and density in burn scars: an experimental study. Burns & Trauma, 4:27.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  4. 4

    Shen WC, Cheng HT, Jan YK et al. (2025). Effect of negative pressure therapy on skin blood flow responses in scar tissue. Cureus, 17(8):e90436.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  5. 5

    Zhang P, Lv J, Ge C et al. (2024). Quantitative evaluation of microenvironmental changes and efficacy of cupping therapy under different pressures based on photoacoustic imaging. Photoacoustics, 40:100661.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  6. 6

    Mehta P, Dhapte V (2015). Cupping therapy: a prudent remedy for a plethora of medical ailments. Journal of Traditional and Complementary Medicine, 5(3):127-134.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  7. 7

    Luebberding S, Krueger N, Sadick NS (2015). Cellulite: an evidence-based review. American Journal of Clinical Dermatology, 16(4):243-256.

    PubMed (abre em nova aba)
  8. 8

    Collis N, Elliot LA, Sharpe C, Sharpe DT (1999). Cellulite treatment: a myth or reality: a prospective randomized, controlled trial of two therapies, endermologie and aminophylline cream. Plastic and Reconstructive Surgery, 104(4):1110-1114.

    PubMed (abre em nova aba)
  9. 9

    Lim SK, Gultekin G, Suresan S et al. (2025). Comparative analysis of cellulite treatment modalities: a systematic review. Aesthetic Plastic Surgery, 49(7):2051-2075.

    PubMed (abre em nova aba)
  10. 10

    Gonçalves ADC, Guirro RRJ, Rossi LA et al. (2022). Effects of therapeutic ultrasound and paraffin with or without vacuum massage on biomechanical properties of grafted skin after burn: a randomized controlled trial. Revista da Associação Médica Brasileira, 68(12):1759-1764.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  11. 11

    Bioset (2026). Dermovac Lite: ficha técnica. bioset.com.br.

    bioset.com.br (abre em nova aba)
  12. 12

    Bioset (2026). Dermovac LedShape 2.1: ficha técnica. bioset.com.br.

    bioset.com.br (abre em nova aba)

Sobre este artigo

Publicado
Editoria e formato
Tratamentos e Protocolos · Comparativo
Como citar
Equipe Bioset. Vacuoterapia ou endermologia: o que muda entre ventosa e roletes. Caderno Técnico Bioset, 30 out. 2026. Disponível em: https://www.bioset.com.br/blog/vacuoterapia-e-endermologia-diferencas. Acesso em: 31 out. 2026.
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Conteúdo técnico para profissionais habilitados. Não substitui a avaliação individual de cada paciente, e a conduta é do profissional. Resultados variam conforme paciente e protocolo.

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