Comparativo · Criolipólise de placas
Criolipólise de placas ou sucção: diferenças técnicas e indicações
Placas e aplicadores de sucção usam o mesmo princípio biológico, mas retiram calor do tecido de formas diferentes. Veja o que isso muda em tempo de aplicação, área tratada, conforto, indicação por região e riscos.
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- Equipe Bioset
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Pontos-chave
- Como cada formato retira calor do tecido e por que isso muda o tempo de aplicação
- Área tratada, conforto e as regiões em que cada aplicador rende melhor
- Os riscos comuns aos dois formatos e os que dependem do aplicador
- O que a literatura já compara entre placas e sucção, e o que ainda não compara
Criolipólise de placas ou sucção: qual a diferença?
Na dúvida sobre criolipólise de placas ou sucção, a diferença está na forma de retirar calor do tecido. O alvo é o mesmo: a apoptose do adipócito induzida pelo frio. Na sucção, o aplicador puxa uma dobra de pele e gordura para uma cavidade e a resfria por duas faces. Na placa, o frio chega por contato, sem vácuo.
Depois da sessão, o tecido segue a mesma cronologia de resposta do adipócito, do dia 1 ao dia 90, qualquer que seja o aplicador. A escolha depende sobretudo das regiões e do tipo de gordura que a clínica mais atende. Os critérios para comparar equipamentos estão na página de aparelhos de criolipólise de placas.

Tabela 1 Criolipólise de placas e de sucção, lado a lado
| Critério | Placas (contato) | Sucção (vácuo) |
|---|---|---|
| Resfriamento | Por uma face, com a placa apoiada na pele | Por duas faces, com a dobra presa na cavidade |
| Exigência de tecido | Não depende de dobra pinçável | Precisa de uma dobra pinçável mínima |
| Área por aplicação | Superfícies amplas; várias placas ao mesmo tempo | O volume que cabe na cavidade |
| Tempo por ciclo nos estudos | Pode ser maior (120 minutos na coxa lateral, em Stevens e Bachelor) | Cerca de 60 minutos nos estudos clássicos |
| Sensação no início | Frio intenso, sem tração | Sucção da dobra, desconfortável para parte dos pacientes |
| Eventos que pedem atenção | Queimadura por frio de primeiro grau descrita com placas a −4 °C | Equimose e vermelhidão atribuídas à força do vácuo somada ao frio |
| Base de evidência | Menor, com estudos pequenos | Maior, com a maioria dos ensaios publicados |
Deslize a tabela para ver as 3 colunas.
Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
Por que a sucção costuma resfriar mais rápido?
Porque a dobra de tecido fica presa entre duas superfícies frias e o vácuo dificulta o fluxo de sangue na região, que é o que reaquece a gordura (Ingargiola e colaboradores, 2015)6. Na placa, o calor sai por uma face só e a circulação continua ativa, então o frio precisa de mais tempo para chegar à mesma profundidade.
6Ingargiola MJ et al., 2015.Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms.
No estudo de Stevens e Bachelor (2015)2, 40 mulheres (37 concluíram) foram tratadas na face lateral da coxa com um aplicador sem vácuo. Como o tecido não podia ser prensado entre duas placas, a aplicação durou 120 minutos, contra os 60 habituais da sucção. A redução média da camada foi de 2,6 mm, igual à citada pelos autores para a coxa interna tratada com sucção.
2Stevens WG, Bachelor EP, 2015.Cryolipolysis conformable-surface applicator for nonsurgical fat reduction in lateral thighs.
Placas ou sucção: qual reduz mais gordura?
Ainda não há resposta sólida. A única comparação clínica direta que localizamos, de Tófoli e colaboradores (2025)3, tratou um participante com sucção a -11 °C e outro com placas a -5 °C, ambos em dois ciclos de 30 minutos, e analisou o tecido retirado em abdominoplastia 60 dias depois.
3Tófoli CR et al., 2025.Effects of cryolipolysis by vacuum system and by cooling plates: a comparative study.
Os dois mostraram apoptose e redução de gordura; a sucção teve mais sinais de inflamação e cerca de 50% a mais de neocolagênese, e os autores a consideraram superior. Com um participante por formato e temperaturas diferentes, o achado serve como hipótese para estudos maiores.
A criolipólise de placas é mais confortável?
Depende do paciente. A placa dispensa a tração do vácuo, que parte dos pacientes acha desconfortável, mas a aplicação por contato tende a ser mais longa e exige imobilidade na mesma posição. Nos dois formatos, frio intenso nos primeiros minutos e dormência local depois fazem parte da sessão, e o paciente precisa saber disso antes de começar.
Friedmann (2019)4 justifica o estudo com aplicador sem vácuo por dois motivos: gordura fibrosa que não entra na cavidade e pacientes que acham a sucção desconfortável. Nas placas, o ponto fraco é a posição: no estudo de Stevens e Bachelor, 24% das pacientes (9 de 37) relataram incômodo por ficar 120 minutos deitadas de lado. Planeje o posicionamento antes de ligar o aparelho.
4Friedmann DP, 2019.Cryolipolysis for Noninvasive Contouring of the Periumbilical Abdomen With a Nonvacuum Conformable-Surface Applicator.
Qual formato indicar para cada região?
A regra prática é o teste da pinça. Gordura que forma dobra com facilidade, como flancos e abdome inferior, é o terreno clássico da sucção e também aceita placas. Gordura fibrosa, pouco pinçável ou espalhada em superfície ampla, como culote e parte da região periumbilical, é onde o aplicador de contato cobre o que a sucção não alcança. A pinça escolhe o aplicador; a indicação segue sendo gordura subcutânea localizada.
- Flancos e abdome inferior com dobra fácil: os dois formatos são opção. Com placas, Bellocco e colaboradores (2021)5 trataram o abdome infraumbilical de 15 mulheres, com redução em perimetria e ultrassom.
- Culote (face lateral da coxa): gordura fibrosa, difícil de puxar para a cavidade. Foi a região do estudo de Stevens e Bachelor.
- Região periumbilical com gordura fibrosa: Friedmann tratou 20 pacientes com aplicador sem vácuo.
- Submento: a literatura usa aplicadores de sucção pequenos (Kilmer e colaboradores, 2016)7. Não é região típica de placas.
Em qualquer região, a indicação é gordura subcutânea localizada em paciente com peso estável. Obesidade não é indicação de criolipólise, com placa ou com sucção (Meyer e colaboradores, 2018)8.
8Meyer PF et al., 2018.Cryolipolysis: patient selection and special considerations.
Os riscos mudam entre placas e sucção?
Em parte. Vermelhidão, inchaço e dormência local, os efeitos mais frequentes, aparecem nos dois formatos e costumam regredir sozinhos. A sucção acrescenta equimose ligada à força do vácuo (Ingargiola e colaboradores, 2015). Nas placas, a atenção vai para o contato e a manta, porque queimadura por frio já foi descrita. Para a hiperplasia paradoxal, não há comparação entre formatos.
Entre os eventos graves, a revisão sistemática de Hedayati e colaboradores (2020)9, com 53 artigos, lista dor intensa ou persistente, disestesia, hiperpigmentação, neuropatia motora e hiperplasia adiposa paradoxal.
9Hedayati B et al., 2020.Adverse Events Associated With Cryolipolysis: A Systematic Review of the Literature.
Com placas, Bellocco e colaboradores encontraram mais vermelhidão e queimaduras de primeiro grau a -4 °C do que a -2 °C e -3 °C. Fora dos ensaios clínicos, um serviço de queimados da Austrália registrou 10 pacientes com queimadura por criolipólise entre 2012 e 2020, dois deles com enxerto de pele (Barry e colaboradores, 2023)10. Manta íntegra, checagem da pele nos primeiros minutos e temperatura acompanhada durante todo o ciclo fazem parte do protocolo, com qualquer aplicador.
10Barry NP et al., 2023.Cold burns as a result of cosmetic cryolipolysis: an emerging concern from the NSW Statewide Burn Injury Service.
- ~1 em 455hiperplasia paradoxal na meta-análise de 2025 (13.078 pacientes)
- 120 minaplicação sem vácuo na coxa lateral (Stevens e Bachelor), contra 60 min na sucção
- 2participantes na comparação clínica direta entre placas e sucção (Tófoli e colaboradores, 2025)
Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
Onde entra o Kryoplatten nessa escolha?
O Kryoplatten é a plataforma de criolipólise da Bioset, e o resfriamento é feito só por placas. Tem 4 saídas simultâneas e placas em três tamanhos (P, M e G), o que permite montar sessões com abdome, flancos e culote em paralelo, inclusive onde a dobra para sucção não se forma bem.
Cada placa tem termômetro integrado, com a temperatura no visor durante toda a aplicação, e o sistema de controle faz o retorno gradual da temperatura. Isso não dispensa a checagem da pele, mas dá um dado objetivo para acompanhar quatro áreas ao mesmo tempo. Tempo e temperatura de cada ciclo seguem o manual do equipamento; os demais dados estão na ficha técnica do Kryoplatten.
Aparelho neste parágrafo
Nem toda queixa corporal é caso de frio: flacidez associada pede outra tecnologia, como a radiofrequência, que atua no colágeno da derme. Para comparar mecanismos na gordura, veja o artigo sobre HIFU e cavitação no ultrassom estético e a página de aparelhos de ultracavitação.

O que a evidência sustenta
Leitura da equipe Bioset sobre as 12 referências deste artigo
Consenso
- Placas e sucção induzem a mesma apoptose do adipócito pelo frio; muda a forma de retirar calor
- A sucção exige dobra pinçável; gordura fibrosa ou pouco pinçável pede aplicador de contato
- Eritema, edema e dormência transitória são esperados nos dois formatos
Promissor, mas incerto
- Se um formato reduz mais gordura que o outro com parâmetros equivalentes (a comparação direta publicada teve 2 participantes)
- Se o tipo de aplicador altera o risco de hiperplasia paradoxal
- Tempo e temperatura ideais para aplicadores de contato
O que não afirmar ao paciente
- Que placas não têm risco de hiperplasia paradoxal, ou que a sucção tem mais
- Que um formato "congela mais gordura" ou faz perder peso
- Que a sessão é livre de desconforto

Aparelho citado neste artigo
Kryoplatten
Plataforma de criolipólise de placas citada neste artigo, com 4 saídas simultâneas e placas em três tamanhos.
- Tecnologia
- Criolipólise de placas
- Registro ANVISA
- 10410309014
- Fabricação
- Bioset, Rio Claro (SP)
Referências 12 fontes, de 2015 a 2025
- 1
Mah AE et al. (2025). Incidence of Paradoxical Adipose Hyperplasia After Cryolipolysis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, 7:ojaf142.
PubMed (abre em nova aba) - 2
Stevens WG, Bachelor EP (2015). Cryolipolysis conformable-surface applicator for nonsurgical fat reduction in lateral thighs. Aesthetic Surgery Journal, 35(1):66-71.
PubMed Central (abre em nova aba) - 3
Tófoli CR et al. (2025). Effects of cryolipolysis by vacuum system and by cooling plates: a comparative study. CryoLetters, 46(5):321-330.
DOI (abre em nova aba) - 4
Friedmann DP (2019). Cryolipolysis for Noninvasive Contouring of the Periumbilical Abdomen With a Nonvacuum Conformable-Surface Applicator. Dermatologic Surgery, 45(9):1185-1190.
PubMed (abre em nova aba) - 5
Bellocco V et al. (2021). Cryolipolysis with Plate for Treatment of Localized Adiposity. CryoLetters, 42(3):154-158.
PubMed (abre em nova aba) - 6
Ingargiola MJ et al. (2015). Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms. Plastic and Reconstructive Surgery, 135(6):1581-1590.
PubMed Central (abre em nova aba) - 7
Kilmer SL et al. (2016). Safety and efficacy of cryolipolysis for non-invasive reduction of submental fat. Lasers in Surgery and Medicine, 48(1):3-13.
PubMed (abre em nova aba) - 8
Meyer PF et al. (2018). Cryolipolysis: patient selection and special considerations. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 11:499-503.
PubMed Central (abre em nova aba) - 9
Hedayati B et al. (2020). Adverse Events Associated With Cryolipolysis: A Systematic Review of the Literature. Dermatologic Surgery, 46(Suppl 1):S8-S13.
PubMed (abre em nova aba) - 10
Barry NP et al. (2023). Cold burns as a result of cosmetic cryolipolysis: an emerging concern from the NSW Statewide Burn Injury Service. Journal of Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery, 76:289-291.
PubMed (abre em nova aba) - 11
Seaman SA et al. (2016). Paradoxical Adipose Hyperplasia and Cellular Effects After Cryolipolysis: A Case Report. Aesthetic Surgery Journal, 36(1):NP6-NP13.
PubMed Central (abre em nova aba) - 12
Kelly ME et al. (2018). Treatment of Paradoxical Adipose Hyperplasia following Cryolipolysis: A Single-Center Experience. Plastic and Reconstructive Surgery, 142(1):17e-22e.
PubMed (abre em nova aba)
Sobre este artigo
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- Tratamentos e Protocolos · Comparativo
- Como citar
- Equipe Bioset. Criolipólise de placas ou sucção: diferenças técnicas e indicações. Caderno Técnico Bioset, 7 out. 2026. Disponível em: https://www.bioset.com.br/blog/criolipolise-de-placas-ou-succao. Acesso em: 7 out. 2026.
Conteúdo técnico para profissionais habilitados. Não substitui a avaliação individual de cada paciente, e a conduta é do profissional. Resultados variam conforme paciente e protocolo.


