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Comparativo · Criolipólise de placas

Criolipólise de placas ou sucção: diferenças técnicas e indicações

Placas e aplicadores de sucção usam o mesmo princípio biológico, mas retiram calor do tecido de formas diferentes. Veja o que isso muda em tempo de aplicação, área tratada, conforto, indicação por região e riscos.

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9 min · 12 referências
Modelo de biquíni sorri segurando três placas cinza de criolipólise do Kryoplatten diante do peito, em estúdio de fundo cinza

Pontos-chave

  1. Como cada formato retira calor do tecido e por que isso muda o tempo de aplicação
  2. Área tratada, conforto e as regiões em que cada aplicador rende melhor
  3. Os riscos comuns aos dois formatos e os que dependem do aplicador
  4. O que a literatura já compara entre placas e sucção, e o que ainda não compara

Criolipólise de placas ou sucção: qual a diferença?

Na dúvida sobre criolipólise de placas ou sucção, a diferença está na forma de retirar calor do tecido. O alvo é o mesmo: a apoptose do adipócito induzida pelo frio. Na sucção, o aplicador puxa uma dobra de pele e gordura para uma cavidade e a resfria por duas faces. Na placa, o frio chega por contato, sem vácuo.

Depois da sessão, o tecido segue a mesma cronologia de resposta do adipócito, do dia 1 ao dia 90, qualquer que seja o aplicador. A escolha depende sobretudo das regiões e do tipo de gordura que a clínica mais atende. Os critérios para comparar equipamentos estão na página de aparelhos de criolipólise de placas.

Placa de criolipólise do Kryoplatten vista em ângulo sobre fundo branco, com face de contato plana e preta e cabo cinza
Figura 1 Placa do Kryoplatten: o frio chega à pele pela face plana, sem vácuo. Foto: Bioset

Tabela 1 Criolipólise de placas e de sucção, lado a lado

CritérioPlacas (contato)Sucção (vácuo)
ResfriamentoPor uma face, com a placa apoiada na pelePor duas faces, com a dobra presa na cavidade
Exigência de tecidoNão depende de dobra pinçávelPrecisa de uma dobra pinçável mínima
Área por aplicaçãoSuperfícies amplas; várias placas ao mesmo tempoO volume que cabe na cavidade
Tempo por ciclo nos estudosPode ser maior (120 minutos na coxa lateral, em Stevens e Bachelor)Cerca de 60 minutos nos estudos clássicos
Sensação no inícioFrio intenso, sem traçãoSucção da dobra, desconfortável para parte dos pacientes
Eventos que pedem atençãoQueimadura por frio de primeiro grau descrita com placas a −4 °CEquimose e vermelhidão atribuídas à força do vácuo somada ao frio
Base de evidênciaMenor, com estudos pequenosMaior, com a maioria dos ensaios publicados

Deslize a tabela para ver as 3 colunas.

Fontes: ver as referências ao fim do artigo.

Por que a sucção costuma resfriar mais rápido?

Porque a dobra de tecido fica presa entre duas superfícies frias e o vácuo dificulta o fluxo de sangue na região, que é o que reaquece a gordura (Ingargiola e colaboradores, 2015)6. Na placa, o calor sai por uma face só e a circulação continua ativa, então o frio precisa de mais tempo para chegar à mesma profundidade.

6Ingargiola MJ et al., 2015.Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms.

No estudo de Stevens e Bachelor (2015)2, 40 mulheres (37 concluíram) foram tratadas na face lateral da coxa com um aplicador sem vácuo. Como o tecido não podia ser prensado entre duas placas, a aplicação durou 120 minutos, contra os 60 habituais da sucção. A redução média da camada foi de 2,6 mm, igual à citada pelos autores para a coxa interna tratada com sucção.

2Stevens WG, Bachelor EP, 2015.Cryolipolysis conformable-surface applicator for nonsurgical fat reduction in lateral thighs.

Placas ou sucção: qual reduz mais gordura?

Ainda não há resposta sólida. A única comparação clínica direta que localizamos, de Tófoli e colaboradores (2025)3, tratou um participante com sucção a -11 °C e outro com placas a -5 °C, ambos em dois ciclos de 30 minutos, e analisou o tecido retirado em abdominoplastia 60 dias depois.

3Tófoli CR et al., 2025.Effects of cryolipolysis by vacuum system and by cooling plates: a comparative study.

Os dois mostraram apoptose e redução de gordura; a sucção teve mais sinais de inflamação e cerca de 50% a mais de neocolagênese, e os autores a consideraram superior. Com um participante por formato e temperaturas diferentes, o achado serve como hipótese para estudos maiores.

A criolipólise de placas é mais confortável?

Depende do paciente. A placa dispensa a tração do vácuo, que parte dos pacientes acha desconfortável, mas a aplicação por contato tende a ser mais longa e exige imobilidade na mesma posição. Nos dois formatos, frio intenso nos primeiros minutos e dormência local depois fazem parte da sessão, e o paciente precisa saber disso antes de começar.

Friedmann (2019)4 justifica o estudo com aplicador sem vácuo por dois motivos: gordura fibrosa que não entra na cavidade e pacientes que acham a sucção desconfortável. Nas placas, o ponto fraco é a posição: no estudo de Stevens e Bachelor, 24% das pacientes (9 de 37) relataram incômodo por ficar 120 minutos deitadas de lado. Planeje o posicionamento antes de ligar o aparelho.

4Friedmann DP, 2019.Cryolipolysis for Noninvasive Contouring of the Periumbilical Abdomen With a Nonvacuum Conformable-Surface Applicator.

Qual formato indicar para cada região?

A regra prática é o teste da pinça. Gordura que forma dobra com facilidade, como flancos e abdome inferior, é o terreno clássico da sucção e também aceita placas. Gordura fibrosa, pouco pinçável ou espalhada em superfície ampla, como culote e parte da região periumbilical, é onde o aplicador de contato cobre o que a sucção não alcança. A pinça escolhe o aplicador; a indicação segue sendo gordura subcutânea localizada.

  • Flancos e abdome inferior com dobra fácil: os dois formatos são opção. Com placas, Bellocco e colaboradores (2021)5 trataram o abdome infraumbilical de 15 mulheres, com redução em perimetria e ultrassom.
  • Culote (face lateral da coxa): gordura fibrosa, difícil de puxar para a cavidade. Foi a região do estudo de Stevens e Bachelor.
  • Região periumbilical com gordura fibrosa: Friedmann tratou 20 pacientes com aplicador sem vácuo.
  • Submento: a literatura usa aplicadores de sucção pequenos (Kilmer e colaboradores, 2016)7. Não é região típica de placas.

5Bellocco V et al., 2021.Cryolipolysis with Plate for Treatment of Localized Adiposity.

7Kilmer SL et al., 2016.Safety and efficacy of cryolipolysis for non-invasive reduction of submental fat.

Em qualquer região, a indicação é gordura subcutânea localizada em paciente com peso estável. Obesidade não é indicação de criolipólise, com placa ou com sucção (Meyer e colaboradores, 2018)8.

8Meyer PF et al., 2018.Cryolipolysis: patient selection and special considerations.

Os riscos mudam entre placas e sucção?

Em parte. Vermelhidão, inchaço e dormência local, os efeitos mais frequentes, aparecem nos dois formatos e costumam regredir sozinhos. A sucção acrescenta equimose ligada à força do vácuo (Ingargiola e colaboradores, 2015). Nas placas, a atenção vai para o contato e a manta, porque queimadura por frio já foi descrita. Para a hiperplasia paradoxal, não há comparação entre formatos.

Entre os eventos graves, a revisão sistemática de Hedayati e colaboradores (2020)9, com 53 artigos, lista dor intensa ou persistente, disestesia, hiperpigmentação, neuropatia motora e hiperplasia adiposa paradoxal.

9Hedayati B et al., 2020.Adverse Events Associated With Cryolipolysis: A Systematic Review of the Literature.

Com placas, Bellocco e colaboradores encontraram mais vermelhidão e queimaduras de primeiro grau a -4 °C do que a -2 °C e -3 °C. Fora dos ensaios clínicos, um serviço de queimados da Austrália registrou 10 pacientes com queimadura por criolipólise entre 2012 e 2020, dois deles com enxerto de pele (Barry e colaboradores, 2023)10. Manta íntegra, checagem da pele nos primeiros minutos e temperatura acompanhada durante todo o ciclo fazem parte do protocolo, com qualquer aplicador.

10Barry NP et al., 2023.Cold burns as a result of cosmetic cryolipolysis: an emerging concern from the NSW Statewide Burn Injury Service.

  • ~1 em 455hiperplasia paradoxal na meta-análise de 2025 (13.078 pacientes)
  • 120 minaplicação sem vácuo na coxa lateral (Stevens e Bachelor), contra 60 min na sucção
  • 2participantes na comparação clínica direta entre placas e sucção (Tófoli e colaboradores, 2025)

Fontes: ver as referências ao fim do artigo.

Onde entra o Kryoplatten nessa escolha?

O Kryoplatten é a plataforma de criolipólise da Bioset, e o resfriamento é feito só por placas. Tem 4 saídas simultâneas e placas em três tamanhos (P, M e G), o que permite montar sessões com abdome, flancos e culote em paralelo, inclusive onde a dobra para sucção não se forma bem.

Cada placa tem termômetro integrado, com a temperatura no visor durante toda a aplicação, e o sistema de controle faz o retorno gradual da temperatura. Isso não dispensa a checagem da pele, mas dá um dado objetivo para acompanhar quatro áreas ao mesmo tempo. Tempo e temperatura de cada ciclo seguem o manual do equipamento; os demais dados estão na ficha técnica do Kryoplatten.

Aparelho neste parágrafo

Nem toda queixa corporal é caso de frio: flacidez associada pede outra tecnologia, como a radiofrequência, que atua no colágeno da derme. Para comparar mecanismos na gordura, veja o artigo sobre HIFU e cavitação no ultrassom estético e a página de aparelhos de ultracavitação.

Modelo segura três placas ligadas ao Kryoplatten, uma delas junto ao rosto, com o visor aceso do aparelho na parte de baixo
Figura 2 Placas ligadas ao Kryoplatten, com a temperatura exibida no visor do aparelho. Foto: Bioset

O que a evidência sustenta

Leitura da equipe Bioset sobre as 12 referências deste artigo

Consenso

  • Placas e sucção induzem a mesma apoptose do adipócito pelo frio; muda a forma de retirar calor
  • A sucção exige dobra pinçável; gordura fibrosa ou pouco pinçável pede aplicador de contato
  • Eritema, edema e dormência transitória são esperados nos dois formatos

Promissor, mas incerto

  • Se um formato reduz mais gordura que o outro com parâmetros equivalentes (a comparação direta publicada teve 2 participantes)
  • Se o tipo de aplicador altera o risco de hiperplasia paradoxal
  • Tempo e temperatura ideais para aplicadores de contato

O que não afirmar ao paciente

  • Que placas não têm risco de hiperplasia paradoxal, ou que a sucção tem mais
  • Que um formato "congela mais gordura" ou faz perder peso
  • Que a sessão é livre de desconforto
Kryoplatten, Criolipólise de placas

Aparelho citado neste artigo

Kryoplatten

Plataforma de criolipólise de placas citada neste artigo, com 4 saídas simultâneas e placas em três tamanhos.

Registro ANVISA
10410309014
Fabricação
Bioset, Rio Claro (SP)

Onde comprar

Referências 12 fontes, de 2015 a 2025

  1. 1

    Mah AE et al. (2025). Incidence of Paradoxical Adipose Hyperplasia After Cryolipolysis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, 7:ojaf142.

    PubMed (abre em nova aba)
  2. 2

    Stevens WG, Bachelor EP (2015). Cryolipolysis conformable-surface applicator for nonsurgical fat reduction in lateral thighs. Aesthetic Surgery Journal, 35(1):66-71.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  3. 3

    Tófoli CR et al. (2025). Effects of cryolipolysis by vacuum system and by cooling plates: a comparative study. CryoLetters, 46(5):321-330.

    DOI (abre em nova aba)
  4. 4

    Friedmann DP (2019). Cryolipolysis for Noninvasive Contouring of the Periumbilical Abdomen With a Nonvacuum Conformable-Surface Applicator. Dermatologic Surgery, 45(9):1185-1190.

    PubMed (abre em nova aba)
  5. 5

    Bellocco V et al. (2021). Cryolipolysis with Plate for Treatment of Localized Adiposity. CryoLetters, 42(3):154-158.

    PubMed (abre em nova aba)
  6. 6

    Ingargiola MJ et al. (2015). Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms. Plastic and Reconstructive Surgery, 135(6):1581-1590.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  7. 7

    Kilmer SL et al. (2016). Safety and efficacy of cryolipolysis for non-invasive reduction of submental fat. Lasers in Surgery and Medicine, 48(1):3-13.

    PubMed (abre em nova aba)
  8. 8

    Meyer PF et al. (2018). Cryolipolysis: patient selection and special considerations. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 11:499-503.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  9. 9

    Hedayati B et al. (2020). Adverse Events Associated With Cryolipolysis: A Systematic Review of the Literature. Dermatologic Surgery, 46(Suppl 1):S8-S13.

    PubMed (abre em nova aba)
  10. 10

    Barry NP et al. (2023). Cold burns as a result of cosmetic cryolipolysis: an emerging concern from the NSW Statewide Burn Injury Service. Journal of Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery, 76:289-291.

    PubMed (abre em nova aba)
  11. 11

    Seaman SA et al. (2016). Paradoxical Adipose Hyperplasia and Cellular Effects After Cryolipolysis: A Case Report. Aesthetic Surgery Journal, 36(1):NP6-NP13.

    PubMed Central (abre em nova aba)
  12. 12

    Kelly ME et al. (2018). Treatment of Paradoxical Adipose Hyperplasia following Cryolipolysis: A Single-Center Experience. Plastic and Reconstructive Surgery, 142(1):17e-22e.

    PubMed (abre em nova aba)

Sobre este artigo

Publicado
Editoria e formato
Tratamentos e Protocolos · Comparativo
Como citar
Equipe Bioset. Criolipólise de placas ou sucção: diferenças técnicas e indicações. Caderno Técnico Bioset, 7 out. 2026. Disponível em: https://www.bioset.com.br/blog/criolipolise-de-placas-ou-succao. Acesso em: 7 out. 2026.
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Conteúdo técnico para profissionais habilitados. Não substitui a avaliação individual de cada paciente, e a conduta é do profissional. Resultados variam conforme paciente e protocolo.

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