Comparativo · Laser CO₂
Laser CO₂ fracionado ou não ablativo: qual faz sentido na sua clínica
O CO₂ fracionado entrega mais por sessão e cobra mais dias de recuperação; os não ablativos de 1550 e 1927 nm invertem essa conta. Veja o que os estudos comparativos mostram em cicatrizes, manchas e fototipos altos.
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- Equipe Bioset
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Pontos-chave
- A diferença física entre vaporizar e coagular a pele em 10.600, 1550 e 1927 nm
- Quantos dias de recuperação cada laser pede, segundo estudos comparativos
- O que as revisões mostram em cicatrizes de acne, rugas, textura e manchas
- Como fototipo e densidade mudam o risco de mancha
- Qual tecnologia combina com cada perfil de clínica
Qual a diferença entre laser de CO₂ fracionado e laser não ablativo?
O laser de CO₂ fracionado, em 10.600 nm, vaporiza colunas microscópicas de pele e abre a epiderme nos pontos tratados. Os lasers fracionados não ablativos, como o érbio 1550 nm e o túlio 1927 nm, aquecem e coagulam colunas de tecido sem removê-lo. O primeiro entrega mais por sessão; os outros, recuperação mais curta.
Os três têm a água do tecido como alvo e seguem o mesmo princípio: a fototermólise fracionada, descrita por Manstein e colaboradores em 20041. O laser trata colunas microscópicas e deixa pontes de pele intacta entre elas, de onde parte o reparo. No estudo original, com laser de 1,5 µm, cada coluna tinha cerca de 100 µm de diâmetro e 300 µm de profundidade, e a epiderme se refez em um dia.
1Manstein D et al., 2004.Fractional photothermolysis: a new concept for cutaneous remodeling using microscopic patterns of thermal injury.
O que separa as tecnologias é a intensidade da absorção. Em 10.600 nm, a água absorve tanto que o tecido vaporiza: o laser de CO₂ fracionado abre canais cercados por uma faixa de coagulação. Na pele do antebraço, a profundidade da lesão mais que triplicou quando a energia por ponto subiu de 5 para 30 mJ, e a resposta de remodelação do colágeno durou pelo menos três meses (Hantash, 2007)2. Nos lasers fracionados não ablativos de érbio e túlio, a energia só coagula. O túlio é mais absorvido pela água que o érbio e por isso age mais perto da superfície, onde estão o pigmento e as irregularidades de textura.
2Hantash BM et al., 2007.In vivo histological evaluation of a novel ablative fractional resurfacing device.

Tabela 1 CO₂ fracionado, érbio 1550 nm e túlio 1927 nm lado a lado
| CO₂ fracionado | Érbio 1550 nm | Túlio 1927 nm | |
|---|---|---|---|
| Efeito no tecido | Vaporiza colunas e coagula a borda | Coagula colunas sem remover tecido | Coagula colunas rasas sem remover tecido |
| Profundidade máxima citada em aparelhos comerciais (Preissig, 2012) | De 1,6 a 2 mm, conforme o aparelho | Cerca de 1,4 mm | Cerca de 0,2 mm |
| Recuperação típica | Crostas e descamação por cerca de 7 dias (Cho, 2010) | Crostas e descamação por cerca de 2 dias (Cho, 2010) | Eritema moderado, edema leve e descamação (Polder, 2011) |
| Onde rende mais | Cicatrizes atróficas, rugas, textura | Cicatrizes, rugas finas, textura | Manchas superficiais, lentigos, textura |
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Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
Quanto tempo de recuperação (downtime) cada laser pede?
O CO₂ fracionado pede mais. No ensaio de Cho e colaboradores5, com meio rosto tratado por cada laser, crostas e descamação duraram em média 7,4 dias com CO₂ e 2,3 dias com érbio 1550 nm. A meta-análise de Xue (2026)6, com quatro ensaios randomizados, confirmou cerca de 3,5 dias a menos de crostas com o érbio.
5Cho SB et al., 2010.Non-ablative 1550-nm erbium-glass and ablative 10 600-nm carbon dioxide fractional lasers for acne scars: a randomized split-face study with blinded response evaluation.
6Xue D et al., 2026.Efficacy and safety of Er:Glass versus CO2 lasers in the treatment of atrophic acne scars: a systematic review and meta-analysis.
O ensaio de Cho teve só oito pacientes, mas a direção se repete na meta-análise: com o érbio, 1,7 ponto a menos de dor numa escala de 0 a 10 e cerca de 3 dias a menos de vermelhidão. Na agenda, o paciente de CO₂ reserva cerca de uma semana com a pele em cicatrização; o de érbio costuma retomar a rotina em poucos dias.
- 7,4 × 2,3 diascrostas e descamação com CO₂ e com érbio 1550 nm (Cho, 2010)
- 11,5 × 7,5 diasvermelhidão com CO₂ e com érbio 1550 nm (Cho, 2010)
- 7,0 × 3,9dor na escala de 0 a 10, CO₂ e érbio (Cho, 2010)
Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
Qual laser trata melhor cicatriz de acne?
Por sessão, a balança pende para o CO₂, mas sem folga. A revisão de Haji Mohammadi (2025), com 39 estudos comparativos, apontou os ablativos como mais eficazes em cicatrizes atróficas, ao custo de mais dor e recuperação. A meta-análise de Xue (2026), só com ensaios randomizados de CO₂ contra érbio não ablativo, não encontrou diferença significativa de eficácia.
A revisão somou 1.262 participantes, e o protocolo mais comum foi de três sessões a cada quatro semanas. Numa série retrospectiva de 58 pacientes, em avaliação cega, o fracionado ablativo teve nota média de 5,2 (de 0 a 10), e o não ablativo, de 2,2 (You, 2016)9. Na meta-análise de Song e Zhi (2026)7, que incluiu também o Er:YAG ablativo, o CO₂ levou vantagem na análise geral, mas a diferença perdeu significância quando só os ensaios randomizados entraram na conta. As duas meta-análises reúnem de 98 a 130 pacientes cada, e a conclusão ainda pode mudar com estudos maiores.
Qual laser indicar para rugas, textura e manchas?
Rugas finas e textura respondem aos dois grupos; em rugas marcadas, o ablativo tende a render mais por sessão. Para manchas superficiais e lentigos, o túlio 1927 nm é o não ablativo de ação mais superficial. O melasma é um caso à parte: nos estudos, a recidiva é frequente, e o CO₂ traz risco alto de alteração pigmentar.
A revisão de Alexiades-Armenakas10, Dover e Arndt (2008) descreve um espectro: quanto mais agressiva a lesão, maior o efeito e mais longa a recuperação. No estudo que criou o conceito fracionado, quatro sessões com o laser de 1,5 µm na região periorbital melhoraram o escore de rugas em 18% três meses depois (Manstein, 2004).
10Alexiades-Armenakas MR et al., 2008.The spectrum of laser skin resurfacing: nonablative, fractional, and ablative laser resurfacing.
Em pigmento e textura, a revisão sistemática brasileira de Oliveira Modena e colaboradores (2025) reuniu 17 estudos e 448 participantes tratados com 1927 nm. Os estudos relatam melhora de textura, pigmentação e cicatrizes, em média com três sessões mensais, eventos adversos leves e recidiva no melasma; a maioria tem risco de viés moderado a alto. No melasma, os ablativos pedem cautela pelo risco muito alto de hiper e hipopigmentação (Trivedi, 2017)12.
12Trivedi MK et al., 2017.A review of laser and light therapy in melasma.
O fototipo muda a escolha do laser?
Muda o risco, e com ele os parâmetros. A hiperpigmentação pós-inflamatória é a complicação mais relatada nos lasers faciais, sobretudo nos fototipos IV a VI, segundo a revisão de Zhorov (2026)15, com 2.010 casos. Em pele morena e negra, o não ablativo em baixa densidade costuma ser o ponto de partida mais prudente, e o CO₂ pede ajuste fino.
15Zhorov I et al., 2026.Facial laser complications (a five year review).
Na revisão sobre fracionado não ablativo em pele negra e morena, Kaushik e Alexis (2017)13 encontraram evidência favorável ao laser fracionado em fototipos IV a VI, mas poucos estudos de boa qualidade nos fototipos V e VI. Para os autores, a densidade é o parâmetro que mais pesa: quanto mais colunas por cm², maior o risco de mancha. No estudo de Chan (2007)14, com pacientes chineses submetidos a laser fracionado não ablativo, as manchas ao redor da boca surgiram nos casos tratados sem resfriamento por ar.
Não ablativo não quer dizer livre de mancha: na série de Graber (2008)16, com 961 sessões de érbio 1550 nm, a hiperpigmentação foi mais frequente nos fototipos mais escuros. Quando o risco pigmentar é a preocupação principal, a radiofrequência microagulhada é outra via até a derme: o calor vem de corrente elétrica conduzida pelas agulhas, com a epiderme poupada, como explicamos no artigo sobre radiofrequência e colágeno.
16Graber EM et al., 2008.Side effects and complications of fractional laser photothermolysis: experience with 961 treatments.

Quais são os riscos de cada laser?
Nos dois grupos, os eventos mais comuns são erupção acneiforme e reativação de herpes, e a hiperpigmentação cresce com o fototipo. O CO₂ soma infecção e vermelhidão prolongada, porque abre a pele. Em duas séries de centros diferentes, 7,6% das sessões de érbio 1550 nm tiveram complicação; no CO₂ fracionado profundo, foram 67 eventos em 490 sessões (13,6%).

Tabela 2 Complicações em duas séries retrospectivas (Graber, 2008; Shamsaldeen, 2011)
| Evento | Érbio 1550 nm (961 sessões, fototipos I a V) | CO₂ fracionado profundo (490 sessões, fototipos I a IV) |
|---|---|---|
| Complicações no total | 7,6% das sessões | 13,6% (eventos por sessão) |
| Erupção acneiforme | 1,87% | 5,3% |
| Herpes simples | 1,77% | 2,2% |
| Cicatriz | Nenhuma sequela duradoura | Nenhum caso |
Deslize a tabela para ver as 3 colunas.
Fontes: ver as referências ao fim do artigo.
As séries não são um confronto direto, porque populações e centros diferem, mas mostram o perfil de cada tecnologia. No CO₂, 1,8% das sessões tiveram infecção bacteriana, 1,2% infecção fúngica e 0,8% vermelhidão por mais de um mês (Shamsaldeen, 2011)17. Na revisão de Zhorov (2026), os ablativos concentraram o maior risco de cicatriz e infecção, e as lesões oculares, raras, estiveram entre as mais graves; por isso, todos na sala devem usar óculos próprios para o comprimento de onda. Paciente com histórico de herpes na área tratada precisa de avaliação médica antes de qualquer um dos dois lasers.
17Shamsaldeen O et al., 2011.The adverse events of deep fractional CO2: a retrospective study of 490 treatments in 374 patients.
Sobre isotretinoína oral, o consenso de Spring e colaboradores (2017)18 não encontrou evidência suficiente para adiar o laser fracionado, ablativo ou não; o ablativo convencional, não fracionado, continua desaconselhado durante o tratamento. A decisão é médica.
18Spring LK et al., 2017.Isotretinoin and timing of procedural interventions: a systematic review with consensus recommendations.
Qual laser faz sentido para cada perfil de clínica?
Depende de quem a clínica atende e de quantos dias de recuperação o paciente aceita. Serviço médico com demanda de cicatrizes atróficas, rugas marcadas e procedimentos cirúrgicos tira mais proveito do CO₂. Clínica com muitos fototipos altos, pacientes que precisam voltar logo à rotina e foco em manchas e textura tende a aproveitar mais o não ablativo.
- CO₂ fracionado. Combina com consultórios de dermatologia e cirurgia cujos pacientes aceitam cerca de uma semana de recuperação. O LUNYA reúne os modos fracionado, contínuo, pulsado e íntimo, com área de varredura de até 20 × 20 mm e 50 W de potência máxima, segundo a ficha técnica. É um laser Classe 4, de uso exclusivo de médicos e profissionais da saúde habilitados.
- Não ablativo com dois comprimentos de onda. Combina com clínicas que atendem fototipos variados e pacientes que não podem se afastar da rotina. O Joovier combina érbio 1550 nm e túlio 1927 nm, com 1 a 120 mJ por ponto, densidade de 9 a 225 pontos por cm² em 13 níveis e resfriamento por ar forçado, o que permite trabalhar com as densidades baixas recomendadas para pele morena e negra.
- As duas tecnologias. Combina com serviços de público amplo: o não ablativo atende quem não pode se afastar da rotina, e o CO₂, quem aceita mais recuperação em troca de mais efeito por sessão.
Aparelhos neste parágrafo
Quem pode realizar cada procedimento depende da formação do profissional e das normas do respectivo conselho; confirme esse ponto antes de investir. As demais famílias de laser, do Nd:YAG ao vascular, estão na página de aparelhos de laser para estética.
O que a evidência sustenta
Leitura da equipe Bioset sobre as 20 referências deste artigo
Consenso
- CO₂ e não ablativos seguem o mesmo princípio fracionado, com efeito e profundidade diferentes
- O CO₂ causa mais dor e mais dias de recuperação que o érbio 1550 nm
- A hiperpigmentação é o principal risco nos fototipos IV a VI
Promissor, mas incerto
- O tamanho da vantagem do CO₂ em cicatriz de acne (meta-análises pequenas e divergentes)
- A diferença de hiperpigmentação entre CO₂ e érbio (sem diferença significativa em 98 pacientes, Xue 2026)
- Os parâmetros ideais do túlio 1927 nm
O que não afirmar ao paciente
- Que o não ablativo não tem risco de mancha
- Que uma sessão de CO₂ resolve cicatriz ou ruga
- Que algum laser cura melasma
- Que o resultado é garantido ou igual em todos os fototipos

Aparelho citado neste artigo
LUNYA
Laser de CO₂ fracionado de 10.600 nm citado neste artigo, com modos fracionado, contínuo, pulsado e íntimo.
- Tecnologia
- Laser CO₂ fracionado
- Registro ANVISA
- 10410300030
JoovierReferências 20 fontes, de 2004 a 2026
- 1
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Bioset (2026). Ficha técnica do LUNYA (potência, scanner e modos de operação) bioset.com.br.
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Bioset (2026). Ficha técnica do Joovier (energia por ponto, densidade e resfriamento) bioset.com.br.
bioset.com.br (abre em nova aba)
Sobre este artigo
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- Equipe Bioset
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- Tratamentos e Protocolos · Comparativo
- Como citar
- Equipe Bioset. Laser CO₂ fracionado ou não ablativo: qual faz sentido na sua clínica. Caderno Técnico Bioset, 3 nov. 2026. Disponível em: https://www.bioset.com.br/blog/laser-co2-fracionado-ou-laser-nao-ablativo. Acesso em: 4 nov. 2026.
Conteúdo técnico para profissionais habilitados. Não substitui a avaliação individual de cada paciente, e a conduta é do profissional. Resultados variam conforme paciente e protocolo.


