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Comparativo · Criolipólise de placas

Aparelho para gordura localizada: criolipólise, ultracavitação e RF

Criolipólise, ultracavitação e radiofrequência tratam a gordura localizada por mecanismos distintos e com pesos de evidência desiguais. Veja o que cada uma reduz, para qual paciente indicar e quando vale combinar.

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11 min · 16 referências
Mão com luva apoia o transdutor do Cavitouch sobre gel na lateral do abdome, dentro de quadrados demarcados em verde

Pontos-chave

  1. O que criolipólise, ultracavitação e radiofrequência fazem com o adipócito
  2. Quantos centímetros cada tecnologia reduz, segundo revisões e ensaios controlados
  3. Quem é o paciente certo e quem deve ficar de fora
  4. Quando vale combinar tecnologias no mesmo plano

Qual o melhor aparelho para gordura localizada?

O melhor aparelho para gordura localizada depende da queixa principal do paciente. A criolipólise tem a evidência mais sólida para diminuir a camada de gordura. A ultracavitação age por efeito mecânico, com resultado modesto construído em série de sessões. A radiofrequência contribui mais para firmeza e textura do que para volume.

As três miram a gordura subcutânea localizada, e nenhuma é tratamento de obesidade ou de perda de peso. Na meta-análise de Hakami e colaboradores (2025)1, a criolipólise reduziu circunferência e espessura de gordura sem alterar o peso de forma significativa. O objetivo é contorno corporal, e a primeira consulta precisa deixar isso claro.

1Hakami A et al., 2025.Effectiveness of cryolipolysis in body contouring and fat reduction: a systematic review and meta-analysis.

O que cada tecnologia faz com o adipócito?

Cada uma usa um agente físico próprio e provoca um tipo distinto de dano celular. O frio induz morte programada, lenta e seletiva. A cavitação rompe a membrana do adipócito por efeito mecânico. O calor da radiofrequência causa dano térmico tardio, desde que a gordura chegue à temperatura necessária e permaneça nela por tempo suficiente.

Criolipólise: frio e apoptose

Tecidos ricos em lipídios cristalizam em temperaturas mais altas que tecidos ricos em água, e essa janela permite atingir o adipócito com um frio que a pele tolera. No estudo original de Manstein e colaboradores (2008)3, em modelo animal, o resfriamento controlado provocou paniculite lobular e perda gradual de gordura ao longo de 3,5 meses, em geral sem lesão da pele e sem aumento relevante dos lipídios séricos. A cronologia do adipócito do dia 1 ao dia 90 explica por que o resultado não aparece na primeira semana.

3Manstein D et al., 2008.Selective cryolysis: a novel method of non-invasive fat removal.

Na criolipólise de placas, o frio chega por contato, sem sucção de uma dobra de tecido. O Kryoplatten trabalha com 4 saídas simultâneas e placas P, M e G com temperatura de resfriamento de -10 °C, segundo a ficha técnica.

Aparelho neste parágrafo

Ultracavitação: microbolhas e ruptura mecânica

A ultracavitação usa ultrassom não focado de baixa frequência, na faixa de dezenas de quilohertz. As ondas de pressão formam microbolhas no tecido, que oscilam e colapsam. Em estudo histológico pequeno, com ultrassom de 20 kHz aplicado em amostras de pele e em três pacientes antes de cirurgia abdominal, Bani e colaboradores (2013)5 observaram adipócitos menores, microporos na membrana e saída de triglicerídeos para o interstício, sem aumento de adipócitos em apoptose. É um mecanismo de ruptura, diferente da morte programada que o frio provoca.

5Bani D et al., 2013.Histological and ultrastructural effects of ultrasound-induced cavitation on human skin adipose tissue.

A gordura liberada entra no metabolismo. A meta-análise de Badran e colaboradores (2023)6, com 22 estudos e 676 participantes tratados com diferentes técnicas de redução de gordura não cirúrgica, registrou alta transitória de LDL (15 mg/dL), triglicerídeos (10 mg/dL) e colesterol total (15 mg/dL) duas semanas após o procedimento. Para comparação, na revisão de Ingargiola2 sobre criolipólise, nenhum estudo encontrou alteração significativa de lipídios ou de função hepática. Na Bioset, o aparelho de ultracavitação dedicado é o Cavitouch, que associa a cavitação a ondas de choque piezoelétricas (PSW), com potência máxima de 12 W em modo pulsado.

2Ingargiola MJ et al., 2015.Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms.

6Badran S et al., 2023.Metabolic changes after nonsurgical fat removal: a dose response meta-analysis.

Radiofrequência: calor e dano térmico tardio

A radiofrequência (RF) aquece o tecido por efeito Joule, pela resistência à passagem da corrente. Para atingir o adipócito, o calor precisa ser alto e sustentado: no estudo de viabilidade de Franco e colaboradores (2010)9, com um aparelho de RF desenhado para aquecer a gordura de forma seletiva, a temperatura do subcutâneo foi estimada entre 43 e 45 °C por cerca de 15 minutos, e a necrose de adipócitos apareceu a partir do nono dia. Os estudos clínicos de RF voltados à redução de gordura ainda são poucos e pequenos. Por isso, a contribuição mais consistente da radiofrequência corporal está na firmeza da pele, pela contração e remodelação do colágeno que o calor estimula.

9Franco W et al., 2010.Hyperthermic injury to adipocyte cells by selective heating of subcutaneous fat with a novel radiofrequency device: feasibility studies.

Placa de criolipólise do Kryoplatten em fundo branco, com face de contato preta e plana, corpo branco e cabo cinza
Figura 1 Placa do Kryoplatten, que resfria a área por contato, sem sucção de tecido. Foto: Bioset

Tabela 1 Criolipólise, ultracavitação e radiofrequência lado a lado

CritérioCriolipóliseUltracavitaçãoRadiofrequência
Agente físicoFrio controladoUltrassom de baixa frequência (kHz)Corrente alternada de alta frequência (MHz)
Efeito no adipócitoApoptose seletiva, com remoção por macrófagosRuptura mecânica da membrana e saída de triglicerídeosDano térmico tardio se a gordura chegar a 43 a 45 °C por cerca de 15 minutos
Ritmo do resultadoGradual, avaliado em cerca de 3 mesesConstruído em série de sessõesConstruído em série, com remodelação de colágeno em meses
Evidência para gorduraRevisões sistemáticas e meta-análisesEnsaios pequenos e heterogêneosPoucos estudos, amostras pequenas
Papel no planoRedução de volumeRedução de medidas e texturaFirmeza e qualidade da pele

Deslize a tabela para ver as 4 colunas.

Fontes: ver as referências ao fim do artigo.

Quantos centímetros cada tecnologia reduz?

Poucos centímetros por área, no total do protocolo. A revisão de Alizadeh e colaboradores (2016)12 descreve efeito leve a moderado, de 2 a 4 cm de circunferência no total das sessões, para os métodos não invasivos que avaliou (entre eles criolipólise e radiofrequência, mas não a cavitação de baixa frequência). A criolipólise tem os números mais consistentes.

12Alizadeh Z et al., 2016.Review of the mechanisms and effects of noninvasive body contouring devices on cellulite and subcutaneous fat.

Na criolipólise, a revisão sistemática de Ingargiola e colaboradores (2015), com 19 estudos, encontrou redução da camada de gordura de 14,67 a 28,5% por adipometria e de 10,3 a 25,5% por ultrassom. A meta-análise de Hakami, com 10 estudos e 285 pacientes, a maioria sem grupo controle, mediu em média 3,45 cm a menos de circunferência, com alta variação entre os estudos. O efeito foi significativo no abdome, mas não nos braços nem na face interna das coxas.

Ultracavitação e radiofrequência têm estudos menores e mais variáveis. Na ultracavitação, o ensaio randomizado de Mahmoud ELdesoky e colaboradores (2016) comparou cavitação e criolipólise, ambas com dieta, em 60 participantes com IMC acima de 30, fora do perfil ideal para contorno. Depois de 2 meses, as duas reduziram mais a cintura e a dobra suprailíaca que a dieta isolada, sem diferença entre si. Para ultrassom associado a ondas de choque, a revisão sistemática de Wu e colaboradores (2026)8, com 31 estudos e 2.758 participantes, calculou redução média de 2,1 cm no abdome e 1,8 cm na coxa. Na comparação com a criolipólise, a associação reduziu um pouco mais aos 6 meses (2,3 contra 1,5 cm), mas teve recidiva maior em 12 meses (23% contra 8,7%).

8Wu Q et al., 2026.Synergistic mechanisms and clinical efficacy of combined shockwave and ultrasound therapy for localized adiposity: a systematic review and meta-analysis of 31 studies.

Na radiofrequência, a base é mais estreita. A revisão de Kennedy e colaboradores (2015)10 reuniu 2.937 pacientes tratados para redução de gordura com diferentes tecnologias, dos quais só 116 com RF. No ensaio de Vale e colaboradores (2020)11, 28 mulheres saudáveis, de 18 a 28 anos, foram sorteadas para quatro sessões de RF abdominal, com a epiderme mantida entre 40 e 42 °C, ou para RF desligada (placebo). Os dois grupos fizeram exercício aeróbico em seguida, e o grupo tratado reduziu mais a cintura e a espessura do subcutâneo.

10Kennedy J et al., 2015.Non-invasive subcutaneous fat reduction: a review.

11Vale AL et al., 2020.Effect of four sessions of aerobic exercise with abdominal radiofrequency in adipose tissue in healthy women: randomized control trial.

Profissional de luvas aplica o transdutor do Cavitouch na coxa, sobre gel, dentro de uma área demarcada com caneta verde
Figura 2 Ultracavitação com o Cavitouch na coxa, com gel e área demarcada. Foto: Bioset
  • 3,45 cmredução média de circunferência com criolipólise (meta-análise, 2025)
  • 2 a 4 cmredução de circunferência no total das sessões com métodos não invasivos (revisão, 2016)
  • 43 a 45 °Cgordura aquecida por cerca de 15 minutos: faixa de dano térmico tardio com RF (estudo de viabilidade, 2010)
  • 1 em 455incidência estimada de hiperplasia adiposa paradoxal após criolipólise (meta-análise, 2025)

Fontes: ver as referências ao fim do artigo.

Quem é o paciente certo para tratar gordura localizada?

O paciente com gordura subcutânea pinçável em áreas definidas, peso estável e expectativa de contorno, não de perda de peso. A maior parte dos estudos reunidos por Alizadeh incluiu pessoas com IMC abaixo de 30, e Meyer e colaboradores (2018)13 indicam a criolipólise para gordura localizada que persiste apesar de dieta e atividade física; obesidade não é indicação.

13Meyer PF et al., 2018.Cryolipolysis: patient selection and special considerations.

Se a queixa predominante é flacidez, o plano é outro. A avaliação inicial também define o que será comparado depois: medidas com fita em pontos marcados, adipometria e fotografia padronizada, com a mesma distância, posição e luz. Resultados de poucos centímetros só ficam evidentes com esse registro.

As principais contraindicações de cada tecnologia:

  • Criolipólise: doenças com resposta anormal ao frio (fenômeno de Raynaud, crioglobulinemia, urticária ao frio), varizes importantes, dermatite ou perda de integridade da pele na área.
  • Ultracavitação: gestação, implantes metálicos ou próteses na área e lesões de pele ativas. Doença hepática e dislipidemia pedem liberação médica, por causa dos lipídios que chegam à circulação.
  • Radiofrequência: marca-passo ou outro implante eletrônico, metal no trajeto da corrente e gestação.

Vale a pena combinar criolipólise, ultracavitação e radiofrequência?

Vale quando cada tecnologia responde a uma parte diferente da queixa: volume, textura ou firmeza. Nos poucos estudos comparativos, a combinação trouxe ganho quando tratou um problema adicional, como a flacidez. Quando todas as tecnologias miraram o mesmo depósito de gordura, o ganho foi incerto.

Dois ensaios ilustram a diferença. Khedmatgozar e colaboradores (2020)14 acompanharam 90 mulheres por 8 semanas: somar ultracavitação à criolipólise, com dieta nos dois grupos, não melhorou as medidas em relação à criolipólise isolada. Já Few e colaboradores (2016)15, em 10 pacientes, aplicaram radiofrequência multipolar (com campo eletromagnético pulsado e sucção) depois da criolipólise nos flancos. Na avaliação cega pela escala global de melhora estética, o lado que recebeu as duas tecnologias teve flacidez 1 grau melhor que o lado tratado só com frio.

14Khedmatgozar H et al., 2020.The effect of ultrasound cavitation in combination with cryolipolysis as a non-invasive selective procedure for abdominal fat reduction.

15Few J et al., 2016.Prospective internally controlled blind reviewed clinical evaluation of cryolipolysis combined with multipolar radiofrequency and Varipulse technology for enhanced subject results in circumferential fat reduction and skin laxity of the flanks.

Plataformas que reúnem tecnologias permitem montar esse plano por fases no mesmo equipamento. O MaxiShape Prime associa radiofrequência resistiva e capacitiva de 1 MHz, com intensidade de 2 a 120 W, a ultracavitação e PSW em 38 kHz. O Kryoplatten soma às placas de criolipólise as funções de LED vermelho e de ultracavitação com PSW.

Lateral do MaxiShape Prime com o aplicador de ultracavitação preto e o aplicador de radiofrequência de cabo verde nos suportes
Figura 3 Aplicadores de ultracavitação e de radiofrequência do MaxiShape Prime. Foto: Bioset
  1. Avaliar

    Meça, fotografe e defina a queixa principal: volume, textura ou flacidez.

  2. Escolher a base do plano

    Para volume em área pinçável, criolipólise. Para depósitos menores ou áreas em que a placa não assenta bem, série de ultracavitação com PSW.

  3. Complementar

    Radiofrequência quando a pele precisa acompanhar o novo contorno ou quando a queixa inclui textura.

  4. Reavaliar

    Compare medidas e fotos no mesmo padrão por volta de 90 dias depois da criolipólise, ou ao fim de cada série de sessões.

O que a evidência sustenta

Leitura da equipe Bioset sobre as 16 referências deste artigo

Consenso

  • Os mecanismos são distintos: apoptose pelo frio, ruptura mecânica pela cavitação, dano térmico pelo calor
  • A criolipólise tem a base de evidência mais sólida para reduzir a camada de gordura, sem mudar o peso
  • Métodos não invasivos reduzem, em média, de 2 a 4 cm de circunferência no total das sessões, e obesidade não é indicação

Promissor, mas incerto

  • Ultrassom com ondas de choque: bons números de curto prazo numa meta-análise recente, mas recidiva maior em 12 meses
  • Radiofrequência como redutora de gordura, e não só de flacidez (poucos estudos, amostras pequenas)
  • Ganho real de somar tecnologias contra o mesmo depósito de gordura

O que não afirmar ao paciente

  • Que qualquer uma das três tecnologias faz perder peso ou trata obesidade
  • Que o resultado se compara ao de uma lipoaspiração
  • Que a criolipólise não tem risco de hiperplasia paradoxal (a estimativa independente é de cerca de 1 em 455)
MaxiShape Prime, Radiofrequência, ultracavitação e PSW

Aparelho citado neste artigo

MaxiShape Prime

Reúne no mesmo equipamento a radiofrequência resistiva e capacitiva, a ultracavitação e as ondas de choque piezoelétricas (PSW) discutidas neste artigo.

Registro ANVISA
10410300024
Fabricação
Bioset, Rio Claro (SP)

Onde comprar

Também citados no textoKryoplattenCavitouch

Referências 16 fontes, de 2008 a 2026

  1. 1

    Hakami A et al. (2025). Effectiveness of cryolipolysis in body contouring and fat reduction: a systematic review and meta-analysis. World Journal of Plastic Surgery, 14(3):16-26.

    PubMed (abre em nova aba)
  2. 2

    Ingargiola MJ et al. (2015). Cryolipolysis for fat reduction and body contouring: safety and efficacy of current treatment paradigms. Plastic and Reconstructive Surgery, 135(6):1581-1590.

    PubMed (abre em nova aba)
  3. 3

    Manstein D et al. (2008). Selective cryolysis: a novel method of non-invasive fat removal. Lasers in Surgery and Medicine, 40(9):595-604.

    PubMed (abre em nova aba)
  4. 4

    Mah AE et al. (2025). Incidence of paradoxical adipose hyperplasia after cryolipolysis: a systematic review and meta-analysis. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, 7:ojaf142.

    PubMed (abre em nova aba)
  5. 5

    Bani D et al. (2013). Histological and ultrastructural effects of ultrasound-induced cavitation on human skin adipose tissue. Plastic and Reconstructive Surgery Global Open, 1(6):e41.

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  6. 6

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    PubMed (abre em nova aba)
  16. 16

    Bioset (2026). Fichas técnicas do Kryoplatten, do Cavitouch e do MaxiShape Prime. Bioset Indústria de Tecnologia Eletrônica.

    bioset.com.br (abre em nova aba)

Sobre este artigo

Publicado
Editoria e formato
Tratamentos e Protocolos · Comparativo
Como citar
Equipe Bioset. Aparelho para gordura localizada: criolipólise, ultracavitação e RF. Caderno Técnico Bioset, 16 out. 2026. Disponível em: https://www.bioset.com.br/blog/gordura-localizada-criolipolise-ultracavitacao-radiofrequencia. Acesso em: 16 out. 2026.
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Conteúdo técnico para profissionais habilitados. Não substitui a avaliação individual de cada paciente, e a conduta é do profissional. Resultados variam conforme paciente e protocolo.

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