Tratamentos e Protocolos

Aparelho para flacidez: HIFU, RF, microagulhada e criofrequência

As quatro tecnologias aquecem o tecido, mas em camadas diferentes e com pesos de evidência desiguais. Veja onde cada uma age, quantas sessões pede e quando a indicação passa a ser cirúrgica.

Escrito por Equipe Bioset, Equipe editorial

Publicado em 9 min de leitura

Profissional de luvas apoia o aplicador do Skinwave RF no queixo de uma paciente deitada, com o aparelho sobre a bancada ao fundo

Qual é o melhor aparelho para flacidez?

Depende da queixa. HIFU, radiofrequência, radiofrequência microagulhada e criofrequência aquecem camadas diferentes do tecido e não pedem o mesmo número de sessões nem têm o mesmo peso de evidência. A escolha do aparelho para flacidez parte da camada afetada, da área tratada, do grau de flacidez e da recuperação que o paciente aceita.

O ponto em comum é o calor controlado, que contrai parte das fibras de colágeno e dispara a formação de colágeno novo ao longo de meses, como detalha o artigo sobre a temperatura que estimula o colágeno. Por isso, nenhuma das quatro mostra o resultado final ao fim da sessão.

Em que camada cada tecnologia age?

O HIFU deposita energia em pontos focais, em profundidades fixas definidas pelo cartucho. A radiofrequência aquece de forma difusa, com alcance que depende da configuração dos eletrodos. A microagulhada libera a energia na ponta das agulhas, dentro da derme. A criofrequência segue a profundidade da radiofrequência usada, com a superfície resfriada pela ponteira.

Biópsias colhidas 2 meses após o tratamento mostram a diferença (Suh e colaboradores, 2015): a radiofrequência monopolar gerou colágeno novo em todas as camadas da derme, de forma difusa, enquanto o HIFU concentrou a neocolagênese na derme reticular média e profunda, em regiões focais.

IASIS, Skinwave RF, EMIVA e MaxiShape Cryo Station lado a lado, da esquerda para a direita, sobre fundo cinza claro
IASIS, Skinwave RF, EMIVA e MaxiShape Cryo Station: HIFU, radiofrequência, RF microagulhada e criofrequência. · Bioset
HIFU (micro e macrofocado)RadiofrequênciaRF microagulhadaCriofrequência
Mecanismopontos de coagulação térmica acima de 60 °Caquecimento difuso pela passagem da correntecalor na ponta de microagulhasradiofrequência com a superfície resfriada
Profundidade1,5 a 4,5 mm na face; cartuchos mais profundos no corpobipolar: cerca de metade da distância entre eletrodos; monopolar: maior0,5 a 3,5 mm nos estudos faciaisa da radiofrequência usada
Sessões típicas1, com reavaliação em 90 a 180 diasmonopolar: 1, repetida após cerca de 1 ano; bipolar: 3 a 8, a cada 3 a 4 semanas nos estudos faciais1 a 3, a cada 3 a 4 semanassem protocolo validado para flacidez
Perfil de pacienteflacidez leve a moderada do terço inferior da face, pescoço e sobrancelhaflacidez leve a moderada, qualquer fototipoflacidez com textura, poros, rugas finas ou cicatrizeso da radiofrequência, quando o conforto térmico pesa
Limitação principaldesconforto moderado; resposta menor com IMC acima de 30estudos numerosos, mas de qualidade limitadarompe a pele: exige antissepsia e cartucho descartávelevidência própria muito pequena
Aparelho para flacidez: quatro tecnologias lado a lado

Como o HIFU trata a flacidez e quantas sessões são necessárias?

O HIFU microfocado concentra o ultrassom a 1,5, 3,0 ou 4,5 mm de profundidade, sem atingir a epiderme, em pontos de coagulação menores que 1 mm³. Nesses pontos, a temperatura passa brevemente de 60 °C. O padrão dos estudos é uma sessão, com resultado avaliado entre 90 e 180 dias, quando o colágeno novo amadurece.

Na revisão sistemática de Contini e colaboradores (2023), com 16 estudos de sessão única, 92% dos pacientes tiveram melhora avaliada pelo investigador no dia 90. Na autoavaliação, predominou a melhora leve. Flacidez excessiva e IMC acima de 30 reduzem a resposta e aparecem como contraindicações relativas.

O macrofocado usa cartuchos mais profundos, voltados ao corpo. Na revisão de Haykal e colaboradores (2025), com 45 estudos, a melhora de flacidez de 18 a 30% aparece sobretudo no terço inferior da face, no pescoço e na região periorbital; no corpo, os desfechos medidos são principalmente de contorno.

O IASIS reúne os dois modos: a ficha técnica indica cartuchos de 1,5, 3,0 e 4,5 mm para face e pescoço e de 7 e 13 mm para regiões corporais com mais gordura. A página sobre o aparelho de ultrassom microfocado e macrofocado detalha profundidades e indicações, e a diferença entre HIFU e cavitação tem artigo próprio.

A radiofrequência funciona para flacidez?

Em flacidez leve a moderada, sim, com evidência ampla, mas frágil. A radiofrequência aquece o tecido pela resistência à passagem da corrente, sem depender de melanina, por isso serve a qualquer fototipo. Na RF monopolar, o calor chega mais fundo e com mais desconforto; na bipolar, alcança cerca de metade da distância entre os eletrodos (Shin e Kim, 2013).

A RF monopolar foi estudada sobretudo em sessão única; a recomendação reunida por Shin e Kim é repetir o tratamento com intervalos de cerca de 1 ano. Nos estudos com RF bipolar, isolada ou combinada a luz, as séries foram de 3 a 8 sessões, e nos protocolos faciais o intervalo foi de 3 a 4 semanas. A fragilidade aparece na revisão de Araújo e colaboradores (2015): 96% dos 31 estudos relatam resultado positivo, só 44% com significância estatística, e 88% têm qualidade metodológica limitada.

O dado mais útil para comparar tecnologias vem de um ensaio randomizado de hemiface (Alhaddad e colaboradores, 2019): 20 pacientes com flacidez leve a moderada receberam RF monopolar de um lado do rosto e ultrassom microfocado do outro. Os dois lados melhoraram, sem diferença estatística até o dia 180. Na Bioset, os aparelhos de radiofrequência de superfície incluem o Skinwave RF, com modos resistivo e capacitivo.

Quando a radiofrequência microagulhada faz mais sentido?

Quando a flacidez vem acompanhada de textura irregular, poros dilatados, rugas finas ou cicatrizes. As microagulhas levam a energia à derme e poupam a epiderme, o que amplia a margem de segurança em fototipos altos. A maioria dos estudos faciais usa 1 a 3 sessões, a cada 3 a 4 semanas, em profundidades de 0,5 a 3,5 mm.

Esses parâmetros vêm da revisão sistemática de Kumar e colaboradores (2026), com 20 estudos na síntese. A revisão descreve eritema e edema passageiros, que costumam regredir em até 48 horas. Numa comparação com avaliação cega e randomizada de fotografias (Alexiades-Armenakas e colaboradores, 2010), uma sessão de RF microagulhada melhorou o grau de flacidez em 16% em relação ao início, contra 49% do lifting cirúrgico. O ganho não substitui a cirurgia.

O EMIVA trabalha em 1 e 2 MHz, com profundidade de 0,2 a 2,5 mm na face e de 0,5 a 3,6 mm no corpo, segundo a ficha técnica, e soma LED vermelho e infravermelho. Os critérios para escolher um aparelho de radiofrequência microagulhada estão na página da tecnologia.

A criofrequência funciona para flacidez?

Ainda não há estudo próprio que responda. A criofrequência é radiofrequência com resfriamento simultâneo da superfície pela ponteira: o frio serve para proteger a epiderme e tornar o calor mais tolerável, e o efeito esperado sobre o colágeno vem da radiofrequência. Por isso, a referência possível para flacidez é a evidência da radiofrequência convencional.

No PubMed, a busca pelo termo cryofrequency no título ou no resumo retorna um único artigo: um ensaio clínico brasileiro que mediu por ultrassom a espessura da gordura infraumbilical, não a flacidez (Meyer e colaboradores, 2020).

A criofrequência entra quando o plano é de radiofrequência e o conforto térmico pesa, sobretudo em protocolos corporais seriados. O MaxiShape Cryo tem ponteiras de criofrequência facial (bipolar) e corporal (monopolar e hexapolar), e a página sobre aparelhos de criofrequência detalha as indicações.

Ponteira facial da linha MaxiShape, preta com ponta metálica circular, ao lado da ponteira corporal com esferas metálicas
Ponteiras de criofrequência facial e corporal da linha MaxiShape. · Bioset

Como escolher a tecnologia para cada paciente?

Comece pelo grau e pela camada. Flacidez leve a moderada do terço inferior da face, pescoço e sobrancelha pede calor profundo e focal, o território do HIFU. Flacidez com textura, poros ou cicatrizes pede energia dentro da derme, com a microagulhada. Manutenção e protocolos corporais seriados cabem na radiofrequência ou na criofrequência.

  • Área: face e pescoço concentram a melhor evidência; no corpo, os estudos de flacidez são mais fracos.
  • Fototipo: radiofrequência e criofrequência não dependem de melanina; na microagulhada, fototipos altos pedem parâmetros conservadores.
  • Tolerância: o HIFU concentra o tratamento em uma sessão mais desconfortável; a radiofrequência de superfície distribui o estímulo em séries.
  • Fotografia: padronizada nos dias 0, 90 e 180, porque o colágeno novo aparece devagar.
Mão com luva apoia o cartucho de microagulhas do EMIVA, com luz azul acesa, na bochecha ao lado do nariz de uma paciente de olhos fechados
Radiofrequência microagulhada com o EMIVA na bochecha, junto ao nariz. · Bioset

O que é consenso

  • HIFU, radiofrequência e RF microagulhada melhoram flacidez leve a moderada por aquecimento controlado e colágeno novo
  • O resultado amadurece em meses e se avalia com fotografia padronizada
  • Flacidez severa e excesso de pele são indicação cirúrgica

Promissor, mas incerto

  • Superioridade de uma tecnologia sobre outra (os ensaios diretos são poucos e pequenos)
  • Criofrequência para flacidez, ainda sem ensaio específico
  • Ordem e intervalo ideais quando duas tecnologias são combinadas

O que não afirmar

  • Que qualquer um desses aparelhos substitui o lifting cirúrgico
  • Que o resultado é garantido ou que uma sessão levanta o rosto
  • Que a criofrequência reduz gordura como a criolipólise

Referências

  1. Fabi SG, 2015. Noninvasive skin tightening: focus on new ultrasound techniques. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 8:47-52
  2. Contini M et al., 2023. A systematic review of the efficacy of microfocused ultrasound for facial skin tightening. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(2):1522
  3. Haykal D et al., 2025. A systematic review of high-intensity focused ultrasound in skin tightening and body contouring. Aesthetic Surgery Journal, 45(7):690-698
  4. Suh DH et al., 2015. Comparative histometric analysis of the effects of high-intensity focused ultrasound and radiofrequency on skin. Journal of Cosmetic and Laser Therapy, 17(5):230-236
  5. Shin JM, Kim JE, 2013. Radiofrequency in clinical dermatology. Medical Lasers, 2(2):49-57
  6. Araújo AR et al., 2015. Radiofrequency for the treatment of skin laxity: myth or truth. Anais Brasileiros de Dermatologia, 90(5):707-721
  7. Alhaddad M et al., 2019. A randomized, split-face, evaluator-blind clinical trial comparing monopolar radiofrequency versus microfocused ultrasound with visualization for lifting and tightening of the face and upper neck. Dermatologic Surgery, 45(1):131-139
  8. Kumar N et al., 2026. Radiofrequency microneedling for facial rejuvenation: a systematic review. Journal of Cosmetic Dermatology, 25(4):e70845
  9. Alexiades-Armenakas M et al., 2010. Blinded, randomized, quantitative grading comparison of minimally invasive, fractional radiofrequency and surgical face-lift to treat skin laxity. Archives of Dermatology, 146(4):396-405
  10. Froes Meyer P et al., 2020. Analysis of the effects of cryofrequency on localized fat. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 13(7):58-63
  11. PubMed, 2026. Busca por cryofrequency no título ou resumo, consultada em 23/09/2026. National Library of Medicine
  12. Bioset, 2026. IASIS: ficha técnica e indicações por cartucho. Página oficial do produto
  13. Bioset, 2026. EMIVA: ficha técnica. Página oficial do produto
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